A vida é feita pra quem vai

O subtítulo do blog é a tradução das nossas vidas em palavras. Moro em São Paulo há quase quatro anos (Ok, três anos e oito meses, mas a gente adora exagerar). Fernanda já é paulistana, esta aqui há oito anos e nove meses.

Sai do interior sem emprego e sem dinheiro, mas com muita coragem, sonhos e uma família linda que sempre me ajudou quando o nó apertou. Acredito que com a Fê não foi diferente, apesar de ter feito a mudança mais nova e, certamente, mais corajosa que eu.

Não demorou dois meses para que eu já estivesse trabalhando. Na época (nossa que velha), morava no Jabaquara. Diariamente, linha azul, verde, amarela e esmeralda até chegar ao trabalho. De todas, a azul e esmeralda ganhavam disparadas na lotação, sufoco e aquela sensação de “o que que eu tô fazendo aqui???”.

Nas primeiras semanas de trabalho, o trem parou. E eu não tinha a mínima ideia de como voltar pra casa. Chovia. Uma das avenidas principais, onde eu poderia pegar um ônibus, estava parada. E lá fiquei por algumas horas esperando o bus Metro Santa Cruz, o único que poderia me levar até o metro, na minha mente. Foi a primeira vez que chorei com o caos de São Paulo.

Alguns dias depois já estava na estação quando o trem parou, de novo. Sem previsão de volta. Minhas moedas contabilizavam 2,35 reais, o que não seria o suficiente para sair e ir atrás de um ônibus. Fiquei. A chuva e o frio só me permitiam pensar “o que que eu tô fazendo aqui???”.  Três horas de espera, os carros começaram a circular novamente. Lotados. Dona Maria, uma senhora que me fez cia durante a espera me enfiou na lata de sardinha. Jogando mesmo.

Cansada, animada, triste, feliz, chorando, sorrindo, cantando ou dormindo, sempre fui. E, na medida do possível, os dias vão ficando mais fáceis ou não. A chuva não assusta mais. Nem o caminho desconhecido (ok, hoje eu domino mais os ônibus e as respectivas direções). É como jogar Mário (sim, eu sou da época de Mário). Cada fase ultrapassada, a dificuldade muda. Todo dia é um desafio e só vive quem vai. Quem fica, pode até se livrar de muitos perrengues, mas a fase não muda. O jogo não vira. A vitória não vem!

 

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