Sobre

Eu deveria saber que aquela moça com cara azeda, cabelo loooongo e completamente liso, sentada na primeira carteira, com uma mochila no colo (jurando concentrada), falando com a maior convicção do mundo sobre o trabalho e reprovando, pelo olhar, qualquer argumentação contrária, não seria uma boa escolha para dividir os dolorosos perrengues do TCC.

“Se todo mundo concorda, por mim ok”.

Foi com essa frase que ela permitiu que eu participasse do grupo. Saiu da sala em seguida. “Falo pra vocês”.

Algumas semanas depois, descobri que aquela pressa toda era pra ir ao bar.

Recém-chegada e muito perdida, permaneci calada durante os primeiros dias. Os momentos mais próximos eram quando a turma se reunia no “fumódromo”. Fernanda guardava as bitucas de cigarro apagadas num tubo de ensaio “mano, eu não jogo bituca no chão, não gosto disso, tá ligado?!”. Estranho, tudo era estranho, mas ecologicamente correto, convenhamos. Toda vez que não tenho onde jogar minha bituca lembro desta indireta mais que direta.

“E ae, vamo cola no bar?”, veio ela alguns dias depois. Eu, parecendo criança no jardim da infância querendo fazer amizade, fui. Fomos.

O bar ficava na rua de cima, lotado de playboy. Uma mesa de sinuca, pebolim e algum futebol na TV. Todos ficavam na calçada ou na rua impedindo a passagem doas carros. Litrão barato é sempre um sucesso. Entre uma garrafa e outra, papo vai, papo vem, fomos embora tarde, bêbadas e amigas de infância.

Aí percebi que julgar o livro pela capa é a maior besteira da vida (sem puxar o saco porque ela já se acha insuportavelmente). Fernanda virou minha best. Minha primeira amiga em São Paulo (eu falo todos os dias pra ela agradecer esta benção a Deus). Descobrimos muitas coisas em comum… ou não.

Ambas do interiorrrrrrrr. Capricornianas. Uma é morena/meio castanho outra é loira/meio roxo. Uma é casada e a outra protagoniza os papeis de trouxa da vida.

Fernanda Longon e Christianne Abila. Amantes de bares e cerveja gelada.

Nossa amizade começou no bar. Hoje em dia, quando a Fernanda não me dá bolo (o que é bem raro), nos encontramos em bares. A cerveja é o escape para – praticamente – tudo em nossas vidas. Jornalistas que somos, decidimos compartilhar as melhores histórias nos melhores lugares para contá-las, no bar, claro.

We love bar.

Chamazamiga e vem com a gente!